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Prosa Poética com Mary Arantes, no Tarde Ponto Com: 'Valei-me São Cristóvão'

Por Mary Arantes, 17/03/2020 às 13:27
atualizado em: 17/03/2020 às 13:35

Texto:

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Fazia tempos que não dirigia em rodovia. Moreco sempre diz que sou feminista quando me convém. Algumas vezes ele tem razão. Nunca fui fanática com direção, sempre deixei que outras pessoas tomassem as rédeas, principalmente em estradas e fui perdendo o costume e ganhando o medo de dirigir, coisa que sempre achei de muita responsabilidade.

Agora com nós dois mais velhos, cismei que devo voltar a dirigir em estrada, pra no caso de uma necessidade, revezamento ou vista cansada, eu estar apta a fazê-lo.

E eis que voltando de Ponde Nova à BH, resolvo dirigir. Moreco veio ao meu lado, como fiel copiloto e escudeiro. Alertava aos inúmeros quebra-molas que surgiam do nada, quando percebia que eu não os tinha visto, das placas avisando dos radares de velocidade.

Nos divertimos como nunca, fiz uma curva aos berros, que com certeza foi a maior que eu já fiz em toda minha vida de motorista, e ele dava gargalhadas. Vendo que a danada não acabava, proclamava pela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, emendava com misericórdia valei-me, puta que pariu e Nossa Senhora da Abadia da Água Suja. Batíamos palmas como crianças, quando eu conseguia fazer um feito, como uma simples ultrapassagem. Mas dei sorte demais o tempo todo, ou Moreco mandou avisar que eu daria pinta na rodovia? Pois os caminhões sumiram todos da estrada naquela tarde de sábado. De lá pra cá, não precisei ultrapassar sequer um FêNêmê!

O único ônibus que apareceu na reta, parava sempre pro povo apear ou pegar passageiro e nessas paradas eu me valia pra passar zunindo por ele.

Só sei que foi muito tranquilo, do nada quem estava grudado na minha frente, devagar como eu, virava às esquerdas, ou às direitas e era sempre um livramento. Quase fazia sinal da cruz agradecendo. 

Mas me sentia cobrada quando era o contrário, quando alguém colava na minha traseira, como a gritar, sai da frente Dona Maria! E pra provar que Dona Maria era a mãe de quem atrás de mim estava, eu enfiava o pé no acelerador pra não ser multada por dirigir devagar demais.

Achei que chegaria em casa exausta, mas a felicidade da pequena conquista, foi tanta, que quis fazer como Moreco quando chega de viagem. Vai pro sofá, tira o sapato, larga as meias pela sala e toma uma cerveja, como se fosse um ato sagrado. Não sei se faz isso pra comemorar ou pra relaxar. Como não bebo, ficou em mim só a vontade. Sempre achei viajar perigoso, corre-se muitos riscos em estradas, mas nesta viagem especificamente, cheguei à conclusão que vier é muito mais perigoso.

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