Eduardo Costa

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O perigo está no algoritmo 

19/11/2019 às 12:27

A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de revogar a exigência de que o Ministério da Fazenda apresentasse os relatórios de inteligência financeira dos últimos três anos referentes a 600 mil pessoas físicas e jurídicas, deve ser comemorada não apenas porque cessou o absurdo, mas, sobretudo, pelo recado que está implícito no recuo da mais alta autoridade do judiciário brasileiro. Tóffoli não fez porque já ficou satisfeito, já conhece o que precisava, como disse; na verdade, ficou assustado com a repercussão. Da mesma forma que o presidente Bolsonaro, ao não enviar agora a reforma administrativa ao Congresso, seguramente considerou o que está acontecendo nas ruas de La Paz e Santiago.

Nossas autoridades estão percebendo que o limite está logo ali, na garganta e na esquina.

No caso do ministro Tófolli, vale lembrar o que disse Yuval Harari, o israelense festejado no mundo inteiro depois de Homo Sapiens. Na semana passada em visita ao Brasi contoul que a diferença entre a narrativa de seus livros e os de ficção científica é que, até aqui, na ficção, os autores sempre preveem a revolta dos robôs contra os humanos. Ele está convencido de que tão cedo isso não acontecerá, porque os robôs são bons, maus são os governos, os poderosos, que vão utilizar os robôs para tirar o emprego dos pobres e, principalmente, monitorar a vida de todos nós.

Harari prevê que, sem colaboração global e mecanismos de segurança, em breve, quando um de nós acessar o google ou o facebook não vai precisar dizer nada... Apenas olhando para a foto de uma mulher de biquíni e um homem sem camisa, a pessoa vai deixar escapar, no olhar, se é hetero ou homossexual... O algoritmo cuidará do resto, de milhões, bilhões de usuários num instante.  E este é só um exemplo de como vão controlar nossas vidas. E de como isso é grave: imagine no Irã, onde costumam matar homossexuais.

O futuro sombrio seguramente vai pesar mais nos países atrasados na corrida da inteligência artificial, como o Brasil. Os empregos serão mais escassos, as oportunidades mais raras e se um poderoso como Tóffoli resolver usar o monitoramento digital contra os contribuintes, só Deus poderá nos salvar. A propósito, é também de Yuval Harari o livro “Homodeus”, no qual ele diz que, depois de dominar a forme, a guerra e a doença, o homem quer ser Deus... E controlar tudo, inclusive os outros sapiens.

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