Cadu Doné

Coluna do Cadu Doné

Veja todas as colunas

Sampaoli no Galo: o que esperar?

Vanguardista para os nossos baixos padrões, o técnico corre sérios riscos de ser criticado injustamente por parte da imprensa local

12/03/2020 às 03:38
Sampaoli no Galo: o que esperar?

Sampaoli foi mais um grande acerto do presidente Sérgio Sette Câmara. Se a qualidade do argentino enquanto treinador não deixa dúvidas, a engenharia do negócio montada pelo mandatário do Galo – com as ajudas essenciais de Rubens e Rafael Menin – afasta qualquer suspeita quanto à possibilidade de descontrole financeiro.

Um detalhe menor acerca da chegada do novo técnico alvinegro, porém, tem mexido com a minha imaginação: o ex-santista é repleto de excentricidades, e boa parte de suas idiossincrasias – embora, na prática, não tenham nada de ruim – se choca com o que prega certa fatia um tanto retrógrada e simplória da imprensa mineira. 

Para começo de conversa: Sampaoli fala pouco com a mídia e fecha todos os treinamentos. Fico chocado por este tipo de expediente gerar celeumas homéricas num número considerável de comunicadores do nosso estado. Não só não vejo problemas nestes costumes de Sampaoli como, para ser sincero, se estivesse no lugar dele, procederia da mesma maneira. Até penso que este profissional poderia ser um pouco mais leniente com a questão das entrevistas, mas não considero sua postura neste aspecto digna de qualquer crítica. Temos de respeitar e ponto. Não é nada demais.  

Em termos táticos, Sampaoli habitualmente recorre a soluções que, aqui, por muitos, serão vistas como “invencionismo”. Nosso hermano sempre apresentou predileção por dois sistemas táticos: o 3-4-3 e o 4-3-3. Quando escolhe o primeiro, invariavelmente escala um lateral no trio defensivo. Algo diferente? Somente para os padrões de alguns que palpitam sem estudar minimamente o jogo. Entre os milhões de exemplos de sucesso desta estratégia poderíamos citar o Chelsea campeão inglês com Conte no banco e Azpilicueta – até então um lateral-direito conhecido por ser fraco na marcação – na zaga. No Brasil, todavia, se um “professor” optar por essa ideia e os resultados não chegarem imediatamente... A alcunha de “Pardal” vem a galope. A torcida precisa ter paciência, e não se inflamar por discursos de parte da mídia – tão popularescos quanto rasos, ignorantes (na acepção da palavra).

No Santos, muitas vezes Sampaoli mudava o esquema de acordo com o mando de campo. Fora utilizava o 3-4-3 – Jorge chegou a ser o “Azpilicueta” da vez – e em casa preferia o 4-3-3. De novo: há, neste pensamento, a priori, algum equívoco? Claro que não. Mas por nossas bandas, o “variar demais” os onze iniciais vira e mexe é alvo de implicâncias injustas. Aliás, nesta seara, vale mencionar que o carequinha portenho adora alterar a escalação em função do adversário e das condições físicas dos seus atletas. Não me surpreenderia em nada vê-lo censurado indevidamente em situações deste tipo...

Portanto, feito todo o exposto, nos resta o alerta: o Atlético contratou um dos técnicos mais competentes que poderia buscar. O momento, mais do que nunca, é de findar a ciranda eterna à qual parecia estar fadada a posição de treinador do Galo. E para isso, muito provavelmente, sobretudo se os resultados não surgirem com rapidez, será necessário desligar os ouvidos para quem não compreende quem pensa fora da limitada caixa que predomina no nosso futebol.

Foto: Bruno Cantini/Atlético

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    O Ministério da Saúde divulgou na noite deste sábado o boletim atualizado com os dados do novo coronavírus no Brasil. #itatiaia

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    Há ainda o pedido para que o Ministério da Saúde adicione novamente ao Painel Coronavírus os dados apagados na sexta-feira (5). #itatiaia

    Acessar Link