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Preso injustamente por 15 anos, homem vê autor do crime ser solto enquanto aguarda indenização

Verdadeiro autor dos crimes, o 'maníaco do anchieta' ficou menos tempo detido do que Paulo Antônio, que foi preso de forma injusta em 1997

Por Redação, 22/08/2019 às 08:30
atualizado em: 22/08/2019 às 21:02

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Foto: Reprodução/TV
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Após ficar 15 anos preso (cinco anos e sete meses no regime fechado e outros dez no regime domiciliar) por um crime que não cometeu, Paulo Antônio da Silva, de 72 anos, ainda espera para ser indenizado. Ele foi detido por estupro em 1997 e considerado inocente em 2012, quando o bancário Pedro Meier, de 59 anos, mais conhecido como 'maníaco do anchieta', foi apontado como autor do crime.

Na última semana, Paulo Antônio descobriu que o 'maníaco do anchieta', condenado a 13 anos de prisão em 2016, recebeu liberdade condicional por já ter cumprido dois terços da pena e não ter apresentado no laudo criminológico sinais de psicopatia e alterações das funções psíquicas.

O tempo que o 'maníaco do anchieta' passou preso é pelo menos sete anos menos do que Paulo, preso injustamente.  “Tantas mulheres bonitas, tantas crianças andando por aí e um maníaco daquele ficar solto? Quando ele foi preso no Anchieta, a polícia abriu um quarto dele que estava cheio de roupas íntimas de mulheres que ele estrangulava. Pode um homem desse ficar solto?”, diz Paulo.

Ele revela que a vida “está sem alegria”. Enquanto aguarda a indenização e com a idade já avançada, ele sobrevive do dinheiro que recebe do INSS, valor que ainda é descontado por empréstimos. Dinheiro ele diz querer para duas coisas: presentear familiares e cuidar da saúde. “Nos aniversários da minha filha eu não posso dar um presente para ela. Tenho uma netinha que eu também nunca dei nenhum presente porque não tenho dinheiro”.

Passando por problemas de saúde, com simplicidade ele se diz grato ao atendimento que recebe pelo sistema público, mas entende que precisa de um plano particular. “A gente pede até desculpas para o pessoal do SUS, dos postos de saúde, os médicos, os enfermeiros, porque eles nos tratam muito bem.”

A prisão

Quando foi preso, em 1997, Paulo Antônio saiu de casa para trabalhar e, de repente, viu-se preso, dentro de uma viatura. “O policial falou que quando eu chegasse ia virar salame. Aí eu falei: ‘Eu estou aqui, com minha mochilinha, trabalhando. Estou largando serviço. Eu estava morto de cansaço. Doido para vir para casa dormir”, relembra.

À época que foi preso, organizava uma obra em casa, que está paralisada até hoje. “Eu tenho minhas coisas para fazer. Eu era empregado, tinha meu salário para trazer as coisas para dentro de cassa. Perdi tudo quando fiquei preso.”

Natalia Peixoto Silva, de 27 anos, estava com cinco quando o pai foi preso injustamente. “A gente tem corrido atrás (da indenização) para dar alguma dignidade para o restinho de vida dele. Ele depende da saúde pública, então gostaríamos que ele tivesse um plano de saúde bom, para que ele conseguisse fazer o tratamento dele”.

Ela conta que, durante o período em que esteve preso, Paulo quebrou a perna e levou uma facada, que deixou sequelas. “Ele ficou com problema de pressão. Estamos correndo atrás pelo bem dele. A gente sofreu muito. Pensavam que ele era culpado e mostrar para a sociedade que ele é inocente foi um alívio.”

Indenização

De acordo com Júlio Cézar, advogado de Paulo, uma decisão do STJ, que transitou em julgado, estabeleceu que Paulo teria direito a uma indenização de R$ 1,5 milhão corrigidos. Valor que ele ainda aguarda receber. “O estado apenas está pagando as precatórias de 2002, porque o estado deve, não nega, mas paga quando puder.”

“Como é um processo agora de execução, inicia-se uma nova ação em que vamos pleitear esse dinheiro do estado. Porém, o estado apenas está pagando as precatórias de 2002. No caso do Paulo, vai depender de uma fila. Acredito que vai demorar um pouco para ele receber ainda”, explica.

Prisões injustas

De acordo com a ONG Innocence Project, desde quando começou a atuar no Brasil, em 2016, recebeu o cadastro de 853 casos de pessoas que alegam estarem injustamente presas.

Dez estão em um estágio de estudo mais aprofundado, 172 em trâmites internos, 189 foram recusados, 479 estão na fila para avaliação. Dois já estão em processo de revisão criminal para reabrir o caso e buscar um novo julgamento para o condenado.

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