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Combate à corrupção está sendo inviabilizado, diz ex-membro da força-tarefa da Lava Jato

Por Redação , 04/09/2019 às 07:46
atualizado em: 04/09/2019 às 08:37

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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Rovena Rosa/Agência Brasil

Ex-integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, o advogado Carlos Fernando dos Santos Lima, disse em entrevista exclusiva à BBC Brasil que esperava que Bolsonaro não tomasse medidas que atrapalhassem a Lava Jato. 

Nome forte e atuante da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos se aposentou em março deste ano. Ele avalia que a decisão de Bolsonaro de integrar o antigo Coaf ao Banco Central e de trocar nomes-chave na Receita Federal podem ter como motivação central proteger o filho, senador Flávio Bolsonaro (PSL), investigado na operação Furna da Onça em um suposto esquema de ‘rachadinha’ envolvendo o ex-assessor Fabrício Queiroz,  na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

"Infelizmente, uma questão menor, um crime dos mais banais envolvendo políticos – a 'rachadinha' dos salários no gabinete – está inviabilizando o combate à corrupção no Brasil", disse à BBC. 

"Com este Coaf no Banco Central e sem liberdade de se comunicar com o Ministério Público; e com a Receita também ameaçada de diminuição da sua independência, nós temos realmente uma situação dramática."

Outro ponto negativo do atual governo apontado pelo procurador da Lava Jato é, na avaliação dele, a falta de apoio de Bolsonaro ao pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro. 

“O Moro, com o projeto de lei anticorrupção, que é até tímido, na minha opinião; muito menor que as Dez Medidas contra a Corrupção, muito menor que as Novas Medidas contra a Corrupção, mas pelo menos era uma tentativa de mudança. Mas infelizmente o presidente (Bolsonaro) não apoiou o Moro efetivamente nesse projeto, e acabou realmente se revelando uma decepção”, lamentou Carlos, que também vê como erro a demora do presidente Jair Bolsonaro na escola do novo Procurador-Geral da República.

“Agora, por exemplo, o que nos preocupa é a escolha de um PGR (Procurador-Geral da República) contrário à Lava Jato. Nós tivemos dias atrás um candidato, um nome que voltou da aposentadoria irregular que lhe tinha sido deferida, dizendo já de cara sobre a ilegalidade da operação Lava Jato (refere-se ao subprocurador-geral Antônio Carlos Simões Martins Soares)”, disse o procurador aposentado, que destaca.

“A Lava Jato não precisa de ninguém para ajudar, mas se não atrapalhar já seria muito bom. Então, escolher um PGR que seja reconhecido pela classe (dos procuradores) dentro da Lista Tríplice já seria um fortalecimento da Lava Jato, porque ela se baseia na independência do Ministério Público. Não mexendo com a independência do MP, já estaria muito bom”.

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