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Para não serem agredidos, homossexuais dividem ala com estupradores e presos jurados de morte

Por Renato Rios Neto, 31/08/2017 às 18:14

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Renato Rios Neto

A homossexualidade no sistema prisional é um tabu.  Em Minas Gerais, há até um anexo LGBT na Penitenciária Professor Jason Soares Albergaria, em São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas no restante do sistema prisional os homossexuais vivem um cotidiano de tensão, ameaças e preconceito.

Na Nelson Hungria os homossexuais assumidos ficam no seguro, um anexo separado dos outros detentos do presídio, na companhia também de estupradores e outros presos jurados de morte.

Uanderson Gomes Silva, de 26 anos, foi condenado a nove anos de prisão por assalto a mão armada e critica o tratamento dado aos gays. “Aqui nesse sistema é meio difícil porque não tem lugar adequado para nós, e aqui não oferece nenhuma assistência ao homossexual. Sofremos ofensas, perseguições.”

Ele diz que entrou no crime “pela dificuldade na vida”. Contou ser órfão: o pai assassinou a mãe e suicidou quando Uanderson tinha 5 anos. Ainda pequeno, ficou com  a avó. “Falta de oportunidade, [fui] criado na favela”.

O jovem revela que, quando sair, quer procurar outro caminho. “Até um tempo atrás eu me enxergava no crime, mas de um tempo para cá eu coloquei minha cabeça no lugar e hoje procuro sair para ter uma vida melhor, trabalhar, estudar de novo, fazer uma faculdade.”

No anexo do “seguro” a reportagem também se deparou com um homem condenado por estupro, delito considerado odioso até mesmo por aqueles que estão no mundo do crime.

Leidmilson Clementino da Silva, de 36 anos, foi condenado a 28 anos por estupro, homicídio e assalto à mão armada. Ele conta que a vida na ala é como nas outras. “Eu já estive dos dois lados. É a mesma coisa.”

No começo, admite, temeu ser julgado pelos outros detentos por ter sido condenado por abuso sexual. “Mas devido ao fato de eu estar no seguro e aqui ser tudo misturado, não tem que olhar para o que os outros gostam ou deixaram de gostar. Eu vim aqui para cumprir minha pena.”

O detento confessa não ter se arrependido do crime, “pelo jeito que aconteceu”. “Nós participamos de uma orgia num mato, foi consensual de ambas as partes, só que a pessoa era menor.”

Questionado sobre o que pensa a respeito de estupradores, declarou: “Eu não tenho opinião para dar sobre isso, não, porque a minha cabeça é diferente das outras pessoas, mas o estupro é abominável em qualquer lugar”, afirmou.

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