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Levantamento exclusivo da Itatiaia mostra evolução do patrimônio dos deputados mineiros

02/04/2018 às 23:00
atualizado em: 08/08/2018 às 17:46

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A Itatiaia tem apresentado nos últimos meses levantamentos mostrando como votam os deputados da bancada mineira na Câmara Federal quando são confrontados com temas importantes. Além desse tipo de acompanhamento, ao longo dos próximos meses que faltam para a eleição de 2018, vamos apresentar outras reportagens com informações importantes dos parlamentares mineiros.

Dados públicos que estão disponíveis ao acesso popular, mas que o eleitor desconhece. Um deles é a declaração de bens do político, onde é possível checar quais os patrimônios e valores informados pelos candidatos e ainda fazer comparações entre os anos eleitorais.

Dos 53 deputados federais mineiros, 38 concorreram às eleições de 2010 e 2014 para esse cargo e, portanto, fizeram declaração de bens nesses dois anos. A Itatiaia comparou esses valores declarados e fez uma evolução do patrimônio desses políticos entre 2010 e 2014. A comparação levou em conta uma correção dos valores de 2010 pelo índice que mede a inflação. Ou seja, os valores de 2010 foram corrigidos até 2014 para uma comparação mais exata. Dos 38 deputados, cinco tiveram uma evolução patrimonial, acima de 100%, o que quer dizer que o patrimônio dobrou, ou mais do que dobrou, em quatro anos.

No topo dessa lista está o deputado Leonardo Quintão, do PMDB, cujo valor declarado em 2010, levando-se em conta a correção, foi de R$ 3,356 milhões, passando para R$ 17,896 milhões em 2014, o que representa um aumento de 433%. Em segundo lugar está o deputado Gabriel Guimarães, do PT, com uma evolução patrimonial de 271%, passando de R$ 222 mil para R$ 826 mil. O deputado Ademir Camilo, do Podemos, teve um crescimento de 167% no patrimônio entre 2010 e 2014, passando de R$ 645 mil para R$ 1,721 milhão. Luís Tibé, do PT do B, teve uma evolução patrimonial de 114%, passando de R$ 516 mil corrigidos, para R$ 1,105 milhão. O quinto nessa lista dos patrimônios que mais cresceram é o deputado Fábio Ramalho, do PMDB, que passou de R$ 387 mil para R$ 783 mil, o que representa um aumento de 102%.

Todos os parlamentares citados foram procurados pela Itatiaia para falar sobre esse crescimento patrimonial. Em nota, o deputado Leonardo Quintão informou que o aumento se deve a uma herança recebida da mãe e à venda de cotas de participação em empresas da família. O deputado Luís Tibé informou que a renda declarada é compatível com seus vencimentos como parlamentar e o crescimento no período refere-se à quitação de parcelas de financiamento imobiliário, pagas mensalmente. Os outros deputados não responderam até o fechamento desta matéria.

É bom lembrar que todos esses valores foram devidamente declarados pelos deputados, como manda a lei, e que não há nenhuma irregularidade, a princípio, nesses casos. Mas, de acordo com o cientista político e pesquisador do Centro de Estudos Legislativos da UFMG, Lucas Cunha, é preciso controle para que a política não vire uma função de enriquecimento e dominada por interesses econômicos.

“Quando a gente observa os salários dos deputados no caso do Brasil comparado com a América Latina, a gente vai ver que no Brasil os deputados têm salários mais elevados que dos outros países da América Latina. E isso é algo que merece atenção, merece controle institucional, exatamente para a gente não ter uma política dominada somente por pessoas que possuem muito dinheiro”, explicou. 

A declaração de bens dos candidatos de 2014 ainda mostra aqueles que são os deputados federais mineiros mais ricos da atual legislatura. No topo da lista, está a deputada Dâmina Pereira, do PSL, com R$ 34,827 milhões de patrimônio. Em segundo está o deputado Rodrigo Pacheco, do PMDB, com R$ 24,521 milhões e, em terceiro, o deputado Misael Varella, do DEM, com R$ 18,746 milhões. 

Por meio de sua assessoria, o deputado Rodrigo Pacheco informou que o seu patrimônio é fruto de 17 anos de exercício profissional como advogado. Os outros deputados não se pronunciaram sobre os valores declarados.

Ainda há os parlamentares mineiros com os menores patrimônios. Entre eles, chama a atenção a declaração de três que não ultrapassam os R$ 150 mil, apesar de incluir bens como imóveis e carros: o deputado Subtenente Gonzaga, do PDT, com R$ 101 mil, o deputado Marcelo Aro, do PHS, com R$ 105 mil, e a deputada Jô Moraes, com R$ 125 mil. A Itatiaia procurou os três para falar sobre o assunto, mas não obteve resposta. Todos eles, assim como os colegas, recebem uma remuneração mensal bruta de R$ 33,763 mil.

Confira a evolução do patrimônio dos deputados da bancada mineira entre 2010 e 2014:


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