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Caminhoneiros que cortam estradas mineiras convivem com medo, indignação e sensação de impunidade

03/08/2017 às 07:48

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Rafael Nonato/Itatiaia

Foram mais de 2,4 mil quilômetros percorridos. As equipes da Itatiaia viajaram até o Triângulo, Norte de Minas e Grande BH. Nessas regiões, já conhecidas pela atuação de quadrilhas que roubam cargas, ouvimos vários relatos de medo, indignação e impunidade por parte das vítimas e autoridades que investigaram a atuação dos criminosos. 

Na Grande BH, o mesmo sentimento. A reportagem passou por Contagem, Betim, Sabará e Juatuba, além das saídas para Brasília e Rio de Janeiro. E nas movimentadas rodovias que cortam essas cidades, os ladrões atuam à luz do dia ou à noite. Eles abordam os caminhoneiros, roubam as cargas e ainda agem com violência. 

“O caminhão parou e eles já falaram que era assalto, todos os três armados. E tinha um carro acompanhando. Só falaram que era assalto, que era para eu ficar tranquilo. Daí eles levam a gente para o mato, fica um cuidando da gente, enquanto os outros dois levam o caminhão”, relatou um caminhoneiro. 

Clique aqui e ouça a reportagem completa de Alessandra Mendes e Rafael Nonato.

Nosso primeiro destino: Uberlândia. Saímos logo cedo, quando o dia clareou. Pegamos a BR-381 e depois a BR-262, ambas com cobrança de pedágio. Em Córrego Danta, na primeira parada, veio o alerta de um vendedor que tem uma banca em um posto de combustíveis há mais de 30 anos. “É assalto. Pneu, roubo de caminhão, acontece muito. O pessoal chega a pé, geralmente eles ficam amarrados, né”, relatou Durval Costa. 

O medo se justifica. Mais à frente, entre Araxá e Uberlândia, são mais de 170 quilômetros sem praticamente nada na BR 452. De companhia, mata nativa e plantações de milho e batata que parecem infinitas. Postos, comércios? Quase nenhum. São em trechos como esses que as quadrilhas atuam. Pouco policiamento e estradas vicinais de fácil acesso são os combustíveis que movem os bandidos a atuarem com facilidade, como explica Ivanildo Santos, que tem mais de 20 anos como especialista em segurança de cargas.

“As quadrilhas de certa forma têm se organizado, utilizando veículos potentes, armas, em alguns casos usam armas de grosso calibre, e na sua maioria armas de calibres menores, onde fazem as abordagens aos veículos”, disse Ivanildo Santos.  

Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontam um crescimento de 86% nos roubos de cargas no país nos últimos cinco anos. Em Minas, levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) revela um aumento de 200% neste tipo de crime. Em 2011 foram 282 ocorrências, contra 872 no ano passado.
 
Segundo a PRF, um dos pontos mais críticos é o Triângulo Mineiro. Em Uberlândia e entorno, a reportagem percorreu vários pontos de concentração de carreteiros e caminhoneiros. Na região, há um emaranhado de rodovias que cortam a principal cidade da região, rotas do medo para quem pega as estradas.

"Eu cheguei e estavam amarrando um primo meu. Eu conhecia o caminhão e parei. Já tinham dado na cabeça dele, cortado o dedo, eu chamei e ele estava já no mato. Daí ele me respondeu, veio para cima (estrada) todo ensanguentando”, relata Otanir Baticini, caminhoneiro com mais de 50 anos de habilitação.

Nesta terça, na segunda reportagem da série, nossa equipe segue viagem para o Norte de Minas, onde a má conservação das estradas e a facilidade para a revenda de cargas roubadas estimulam e facilitam a ação dos criminosos.

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