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Turbulência na política celeste

No Brasil, futebol é religião, religião é política e política é futebol

13/07/2017 às 09:01
Turbulência na política celeste

Sabe aquele ditado que futebol, política e religião não se discutem? Pois bem... Engana-se quem pensa que os três assuntos não se convergem. Certa vez, ouvi o vice-presidente de comunicação do Flamengo, Antonio Tabet, dizendo: “No Brasil, futebol é religião, religião é política e política é futebol”, o que faz todo sentido quando estamos falando de grandes clubes. 

Vejamos o exemplo dos times mineiros: Atlético e Cruzeiro terão processos eleitorais neste ano, mas apenas o time celeste vem alimentando as redes com muitas polêmicas. São raríssimos os torcedores atleticanos que discutem sobre o candidato A ou B, arrisco dizer que poucos estão se lembrando dessas eleições. O motivo? Acredito que seja a boa fase na Libertadores. Quando as coisas vão bem no futebol, quem se importa com a política do clube? Existe um pré-candidato à presidência do Atlético, Fred Couto. E é importante dizer que não há, até o momento, nenhum motivo que desabone o atual presidente, Daniel Nepomuceno, à reeleição. Ele é o nome forte.

Por outro lado, a torcida celeste vive uma discussão que poderia ser sadia, mas ainda não está sendo. Se na política de Brasília, os eleitores se dividem em petistas ou tucanos, por aqui, a discussão, até outro dia, era Perrella x Bruno Vicintin. Ironicamente, nenhum dos dois irá concorrer às eleições. 

O ex-presidente Zezé Perrella, que já havia se lançado a pré-candidato à presidência, enviou uma carta ao conselho, desistindo da disputa em razão, também, do pedido de seus familiares. Diante de todo esse cenário, Zezé Perrella anunciou Sérgio Santos Rodrigues como o seu substituto e tem o apoio do também ex-presidente Alvimar Perrella. Por outro lado, Bruno Vicintin dependia de mudanças no estatuto para concorrer à vaga. Sem mudança estatutária, o presidente Gilvan de Pinho Tavares anunciou Wagner Pires como o candidato da chapa da situação. Coincidentemente, as discussões políticas perderam força entre a torcida, talvez pelo fato de Wagner não ser tão  conhecido, ainda, pelos torcedores. Aquiles Diniz, diretor executivo do Banco Inter, foi cotado, mas não se oficializou em nenhuma chapa até o momento. Marcio Rodrigues, atual segundo vice do Dr. Gilvan de Pinho, também lançou pré-candidatura, e não definiu quem serão os vices de sua chapa. Apesar de Marcio ser o 2º vice do Cruzeiro atual, não é ele o nome de total apoio do presidente celeste. Para melhor entendimento, a chapa do Cruzeiro é composta de: Presidente, Primeiro Vice-Presidente e Segundo Vice-Presidente. E a do Atlético é Presidente e Vice-Presidente. As eleições devem ser em outubro e posse em primeiro de janeiro de 2018. 

Claro que os Drs Gilvan e Lemos só querem o melhor para o Cruzeiro. Eles, campeões de 2013 e 2014, têm consciência que o time celeste precisa do que há de melhor e não se deixarão levar por vãs filosofias.

A chapa Tríplice Coroa é composta por: Sergio Santos Rodrigues (Advogado, 34 anos), Giovanni Barone (Diretor Executivo da Gold Imóveis, 48 anos) e Marco Túlio (Proprietário da Rede Pizzaria Mangabeiras e Geloso, 46 anos). A chapa Transparência Azul tem como pré-candidato à presidência, Marcio Rodrigues (2º vice-presidente do Cruzeiro, Empresário do ramo Atacadista e imobiliário, 60 anos) e os seus vices ainda não foram oficializados. E existe a possibilidade de Marcio Rodrigues retirar a pré-candidatura. A terceira chapa, União, tem Wagner Pires de Sá (Economista e sócio-proprietário de uma empresa de carbonato de cálcio, 76 anos), Hermínio Francisco Lemos (Engenheiro Civil, Gestor Futebol, Superintendente da Toca da Raposa I, 68 anos) e Ronaldo Granata (Pecuarista e construtor civil, 39 anos).

Embora tenha outros candidatos, a “briga” eleitoral maior deve se concentrar entre Sergio Santos Rodrigues e Wagner Pires. Sérgio é um jovem advogado, promete uma gestão moderna e pautada no diálogo, com planejamentos, inclusive financeiros. Ele ainda não decidiu a composição de sua diretoria, caso seja eleito. Mantém uma boa relação com as diretorias dos grandes clubes e entidades, como por exemplo, a Federação Mineira de Futebol e a CBF. Segundo Sérgio, o bom trâmite também é essencial para a reestruturação do clube. Reestabelecer laços com o presidente Castellar Neto é importante para fortalecer o Cruzeiro neste momento, embora, Castellar nunca tenha dito que não haja boa relação com os clubes. Marcio Rodrigues disse que tem tempo para se dedicar ao clube, está apto a ajudar e que aprendeu muito sobre futebol e esportes durante os seis anos que está no Cruzeiro. Wagner promete contribuir, de maneira uníssona, fortalecer e engrandecer o Cruzeiro por projeto que irá olhar pelo futuro do clube com transparência e metas ambiciosas.

Wagner Pires, empresário e autor do plano diretor para a construção da Sede Campestre. Atualmente, dois nomes coordenam a campanha de Pires e devem fazer parte da diretoria celeste, caso vença as eleições: o ex-presidente do Ipatinga, Itair Machado, no departamento de futebol e Serginho (TV Alterosa) na parte administrativa. Há dois anos, Itair Machado concedeu uma entrevista dizendo ao Superesportes que não pretendia voltar ao futebol: “Quem trabalha em cargos de direção no futebol não tem vida. Um diretor, por exemplo, precisa acompanhar o time em viagens fora do estado toda semana. Eu, como presidente, viajava com o Ipatinga sempre, tinha que estar presente. Eu não quero isso mais na minha vida.” Talvez as coisas tenham mudado! 

O que realmente incomoda é a campanha política em si. Não se pode escolher pessoas para administrar um clube simplesmente por amizades. Time de futebol é empresa. Time de futebol precisa arrecadar. Precisa pagar contas e altos salários. Time de futebol precisa de gestores. Time de futebol precisa de profissionais gabaritados para dirigir a entidade. Se eu pudesse dar um “conselho” aos homens que vão eleger o futuro presidente do Cruzeiro eu diria: “por favor, não olhe se o candidato é seu amigo ou não, verifique se ele tem condições de administrar o clube. Veja a capacidade e competência do “camarada”. Perceba o que ele pode contribuir para o time, se tem conhecimento na área em que vai atuar. Time de futebol, como qualquer outra empresa, não admite aventureiros. Veja as ideias inovadoras que ele pode e vai apresentar. Amizade é boa na mesa de um bar, num churrasco, numa festa de aniversário. Se a empresa fosse sua e você não pudesse mais administrá-la, você entregaria na mão de um amigo ou de um gestor? O seu voto não merece ser desperdiçado. Ele é responsável por quem vai dirigir um grande time e uma grande paixão.

Com tudo isso, como já disse em outras oportunidades, desejo que a agitação nos bastidores não interfira nos gramados. O torcedor celeste não merece mais um ano de angústia. Sabemos que a torcida, em geral, não tem direito a voto, mas espero que o conselho pense muito bem em quem votar. O período de campanha serve para analisar o candidato. É preciso pensar naqueles que fizeram do Cruzeiro a sua vida: os torcedores. E se um representante da nação celeste pudesse votar, levaria em consideração o que há de melhor para o clube, tenho certeza.

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