Ursula Nogueira

Coluna da Ursula Nogueira

Veja todas as colunas

NÃO é mimimi

17/02/2020 às 06:27

“Isso não passa de mimimi” é um dos argumentos mais utilizados atualmente. Seu objetivo? Invalidar a luta feminina em busca de igualdade e, em alguns casos, o mínimo respeito. De ontem, domingo, para cá, é provável que você tenha ouvido isso algumas vezes depois do ato de machismo registrado no intervalo do jogo entre Atlético e Caldense, no Mineirão, pelo Campeonato Mineiro.

Na ocasião, o clube mandante aproveitou o espaço no jogo para apresentar o seu principal reforço para a temporada, o centroavante Diego Tardelli, e o time feminino que inicia a disputa do Campeonato Brasileiro Série A2. Para promover a apresentação, o mascote do Galo acompanhou os atletas. Enquanto o telão mostrava foto e nome de cada jogadora, a torcida aplaudia, acompanhando a “animação” do “Galo Doido”.

No momento da interação com Vitória Calhau, atleta do feminino, o mascote pediu para que ela desse aquela famosa - e inconveniente - voltinha, e saiu esfregando as mãos, uma alusão à beleza da jogadora. A pergunta que fica é: qual a importância da beleza para um jogador? Por que, então, isso seria pré-requisito ou prioridade à jogadora?

As críticas ao ato tomou conta das redes sociais e também de programas esportivos nacionais. É preciso repetir incessantemente que isso tem que acabar! Mulher não é prêmio, isso não é brincadeira. 

Enquanto muitos têm a empatia e o respeito, outros apenas comentam que estamos na era do 'mimimi'. Não, não estamos.

Não seria normal se fosse com uma irmã, com uma mãe ou namorada. Seria? O que é comum nem sempre é normal e muito menos certo. É lamentável que ainda precisamos gastar um espaço para falar do que já deveria nem existir no futebol: desrespeito. A sociedade está doente. A cura vai demorar por anos, mas nem por isso deixaremos nossa luta se perder em diagnósticos variados. 

Ao “profissional” que estava vestido de mascote, ainda bem, porque seu rosto não foi exposto, tomara que tenha se conscientizado e que a repreensão do clube faça efeito. Se achava que sua ação iria agradar, equivocou-se radicalmente e provocou um tumulto desnecessário se tivesse pensado um pouco mais.

Nós, mulheres e homens conscientes e inteligentes, seja em qual esfera for, continuaremos a nos posicionar pela igualdade de direito e respeito. 
 
O machismo é um problema estrutural na cultura ocidental. O caminho para a conscientização de que mulher não é objeto, não é fácil. O discurso de empoderamento e representatividade hoje é bem mais enfático do que em outras épocas, mas, infelizmente, ainda não combate esse tipo de ação. Isso foi notícia porque foi registrado, mas e o que não é mostrado pela TV e não é denunciado? 

Futebol é um espaço de todos. E todos comportam também as mulheres. Se o que te preocupa é o que está em campo, note as pessoas que os jogadores têm ao redor. Nós, mulheres, estamos em todos os lugares e lutaremos para que possamos, além disso, estarmos à vontade, realizadas e respeitadas em qualquer lugar. Se você não sabe o que é isso, pelo menos agradeça seu privilégio e use-o para fortalecer quem não o tem.

Lugar de mulher é onde ela quiser.

Posicionamento do Atlético

“Sobre o episódio ocorrido na tarde de ontem, envolvendo a atleta Vitória Calhau, o Atlético lamenta e repudia o comportamento do funcionário, que foi sumariamente afastado. Pedimos desculpas à atleta, às demais jogadoras e a todas as torcedoras e torcedores pelo lamentável ato".

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    ⚽️ Jogador afirmou não guardar mágoa do Cruzeiro e disse que tem amigos no clube celeste.

    Acessar Link