Rômulo Ávila

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Clubes grandes, estádios vazios

17/05/2019 às 07:11

Mineirão/ Agência I7

Já fui ao Mineirão em vários jogos com público superior a 70 mil pagantes. Inclusive, sou uma das 132 mil testemunhas daquele Cruzeiro 1 x 0 Villa Nova, em 1997. Até por isso vejo com tristeza o esvaziamento dos estádios em Belo Horizonte. Nem mesmo o Brasileirão, principal campeonato do país, tem atraído cruzeirenses e atleticanos, duas das mais apaixonadas torcidas do país. Apenas 10.531 torcedores foram ao Independência para acompanhar Atlético 2 x 1 Avaí, na estreia do Brasileirão. Já a primeira partida da Raposa no Mineirão, contra o Ceará, atraiu somente 22.677 cruzeirenses, dos quais 17.778 pagaram ingresso.

Horários esdrúxulos, projetos que beneficiam programas de sócios, violência, ingressos caros e transmissão pela TV podem ajudar a explicar o esvaziamento. Mesmo assim, acho insuficiente para tanta cadeira vazia nos estádios. Dois jogos da atual temporada retratam bem a falta de interesse do torcedor de ir ao campo: Cruzeiro 1 x 2 Emelec e Atlético 0 x 2 Palmeiras.

Melhor time até então da fase de grupos da Libertadores, o Cruzeiro recebeu o Emelec-EQU precisando de um ponto para terminar como primeiro lugar geral. Apesar da importância, a partida levou apenas 24.417 cruzeirenses ao Gigante da Pampulha. Foi quase o mesmo número dos 24.368 atleticanos que foram ao mesmo estádio para ver o time defender a liderança do Brasileirão na derrota por 2 a 0 para o Palmeiras. É muito pouco. Em boa parte das partidas no Mineirão (independentemente do mandante), o mosaico cinza prevalece.

O Cruzeiro parece já ter percebido a situação e implantou o setor popular, com ingressos a R$ 10. “Criamos um setor com preços baixos, atendendo a um próprio pedido da torcida, e contamos com a presença da apaixonada Nação Azul em todas as nossas partidas”, disse o presidente Wagner Pires de Sá. Apesar da ótima iniciativa, a torcida ainda não correspondeu. Foram 55.596 mil pagantes nos três jogos com o novo espaço, média de 18.532.

Sem iniciativa para atrair o torcedor não sócio e com um time ruim, o Atlético também vê o estádio vazio em 2019. Prova disso é o empate sem gols com o Santos, pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Confronto decisivo visto somente por 11.176 torcedores, menos da metade da capacidade do Independência.

Tanto Cruzeiro quanto Atlético sofrem com o processo de elitização do futebol nacional, acentuada especialmente em razão da Copa do Mundo de 2014. E isso me faz lembrar com saudade da geral do velho Mineirão. Por mais que a visibilidade não fosse a ideal, era lá que ficavam os torcedores mais humildes. Era lá que o pai assalariado levava o filho para ver o time do coração. Pouco importava se ele tivesse que ficar com a criança nas costas durante os 90 minutos ou se chovesse ou fizesse um calor do deserto. Lá estavam os geraldinos (muitos com radinho no ouvido), alegres e empurrando o time do coração.

Fiquei poucas vezes na geral, mas sempre troquei alguns minutos do jogo pelas manifestações espontâneas e únicas dos geraldinos. Era um barato. Pena que eles agora estão só na memória. Quem perde é o futebol (raiz). Os públicos nos jogos de Atlético e Cruzeiro provam isso.

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