José Lino Souza Barros

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Anos dourados

Este texto foi adaptado de uma crônica do jornalista e escritor David Coimbra

13/08/2019 às 10:52
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Os anos dourados estão sempre lá atrás. Mas, pense na sua própria vida. Digamos que, para você, o tempo de glórias se deu nos anos 1980. Você recorda aquela época e suspira. No entanto, se pensar bem, chegará à conclusão de que durante os anos 80 ninguém dizia que aqueles anos eram dourados. Pior: as pessoas reclamavam de coisas típicas da época, como, sei lá, das pochetes. (..) Nesta época, fui visitar uma escola, da qual não lembro o nome, passei pela portaria e entrei, à procura da sala dos professores. 

Fui caminhando por um corredor comprido e, à distância, ouvi uma música entoado por vozes femininas. Vinha da sala dos professores. Quando cheguei à porta, me detive: um grupo de professoras sentadas em torno a uma mesa retangular cantava uma canção do Kenny Rogers e Bee Gees. Elas cantavam com alegria, sorrindo, cantavam com vontade e, o principal, cantavam muito bem. Fiquei parado, olhando e ouvindo, enquanto elas gorjeavam. Foi bonito aquilo! Duas ou três professoras me viram parado à porta, mas não se abalaram. Continuaram cantando e sorrindo alheias à minha presença. (...) Suponho que, a julgar pela felicidade das professoras, elas hoje devem ser das que sentem nostalgia dos anos 80. Mas tenho certeza de que, na época, muitas, senão todas, se queixavam da vida. É assim que é. O presente parece sempre pior do que o passado e o futuro está sempre ameaçando se tornar ainda mais sombrio. Como hoje. 

Hoje, o presente passa a impressão de que vivemos uma época de grosseria e falta de empatia como nunca houve na história do Brasil. E o futuro tem um aspecto assustador. Será que não é bem assim? Será que, daqui a 20 ou 30 anos, as pessoas vão olhar para trás e pensar que a segunda década do século 21 foi formada por anos dourados? Ou será que a minha percepção está correta e vivemos um tempo de ignorância orgulhosa? Tenho dúvidas, mas, francamente, começo a sentir saudade daquele tempo em que o grande problema do Brasil era o Sarney. E, é claro, as pochetes.

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