José Lino Souza Barros

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Quando o campo encontra a cidade

Da cronista Rafaela Werdan

29/08/2019 às 10:47
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Alguns dias da semana acordo em uma rua qualquer de uma cidade grande e tudo está diferente. As imensas construções verticais se tornam pequenas, quase imperceptíveis aos olhos verdadeiramente nus, os carros são proibidos de circular do primeiro ao último número da rua, as sombras das pessoas se movimentam devagar, se esbarram sem sofrimento, quase apreciam a falta de espaço. Um ambiente circense se instala, alguns chamam de feira de alimentos, mas eu chamo de “festa a céu aberto da cidade grande”. (...)

O cenário é mágico, uma miscelânia de cheiros que entorpecem o desejo. As barracas de frutas lindamente organizadas em degradê de cores, em proporcionalidade de tamanhos. Também quase tudo é doce como um sonho. Os insetos chegam comportando-se como confetes e serpentinas sobre o grande público, abelhas beijando o néctar da estação- incansáveis provedoras da vida no planeta. (...)

Neste ponto, as folhas das árvores da cidade estão todas no chão fazendo o costumeiro tapete de vida que esconde o concreto, mas ninguém repara porque a rua está desnuda com as cascas de cocos abertas mostrando todo o seu interior, coroas de abacaxi livres pela primeira vez, variados bagaços de cana na calçada ainda pingando as gotas do sumo do prazer.

Muitos transeuntes sorriem e vizinhos se falam pela primeira e única vez na semana, trocam humanidades diante da generosidade da Terra. A simplicidade chega quando se veem pequenos diante da grandiosidade do planeta exposta e acessível a todos. (...)

Algum dia da semana existe um espaço de sonho entre os blocos de concreto que formam o local que você chama de lar. É o momento onde a cidade grande sente o seu imenso espaço vazio se preencher daquilo que nunca deveria ter ido embora: alegria, comida de verdade e humanidade.

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