Eduardo Costa

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Tragédia em Santa Luzia

Como alguém que está preso em uma casa de custódia de polícia pode fugir, armar-se e provocar tamanho dano?

15/05/2018 às 03:08

A palavra tragédia, com origem na Grécia antiga, vem de gênero dramático que trata das ações e dos problemas humanos de natureza grave. Ela envolve questões sobre a moralidade, o significado da existência humana, as relações entre as pessoas e as relações entre os homens e seus deuses. Geralmente, no fim das tragédias, o personagem principal morre ou perde seus entes queridos.

Tragédia, portanto, e com T maísculo, é o que aconteceu na madruga desta segunda-feira, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde um policial civil foi o personagem principal. Paulo José de Oliveira, de 40 anos, fugiu da Casa de Custódia da Polícia Civil, no Bairro Horto, Região Leste de BH, onde estava preso desde 27 de julho do ano passado. Um pouco mais tarde, invadiu a casa de Luciana Petronilho, da mesma idade, no Bairro Monte Carmo, matando ela e suas duas filhas, Nathalia Petronilho, de 18, e Victoria Petronilho, de 15. Ele disparou contra a cabeça das vítimas e se matou em seguida.

Tudo está ainda confuso, mas considerando relatos de testemunhas, Paulo tomou conhecimento, pelo do advogado, de que na segunda-feira (14) saiu sua condenação a mais de 30 anos de prisão por violência sexual contra as duas moças.

As dúvidas:

- se a juíza aplicou pena tão severa, deve ter provas irrefutáveis e brutais do abuso;

- se a notícia causou tamanho ódio no policial, é de se imaginar o quanto se sentia injustiçado, e essa suspeita, por si só, exige uma revisão dos autos;

- colegas de trabalho não escondem que Paulo tinha relação difícil com eles, vítimas de assédio moral no dia a dia do trabalho em delegacia;

- Como alguém que está preso em uma casa de custódia de polícia pode fugir, armar-se e provocar tamanho dano? Quem fiscaliza essa casa de custódia? Como podemos confiar que os agentes em desvio terão, de fato, a reclusão necessária para que possamos continuar acreditando nos bons – maioria esmagadora?

Mas o que me parece realmente grave é que as nossas corporações insistem em esconder o número real de agentes de segurança com sofrimento mental. Não estou dizendo que era o caso de Paulo, mas, depois do que ele fez, há o benefício da dúvida. E preciso lembrar que, em 2011, na Itatiaia, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Denilson Martins, escorado em dados do Instituto de Perícias, anunciou que, àquela altura, 33% dos policiais civis de Minas tratavam algum tipo de transtorno. Eram tempos de economia mais estável, salários em dia e melhores condições de trabalho. Quantos estão hoje, nas ruas, armados e com carteira de autoridade, sem cuca legal?

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