Eduardo Costa

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A crise é de caráter

26/09/2017 às 01:13

Com esse slogan, um político mineiro conseguiu eleger-se vereador em Belo Horizonte e, depois, deputado. Ele mesmo provou, combinando uma coisa comigo e esquivando-se depois, que a crise era de caráter. Mas essa é outra estória. Quero lhe convidar para uma reflexão sobre o mais recente dos escândalos brasileiros por falta de ética entre as pessoas. Mais um bofetão na nossa cara! Alunos dos dois cursos mais disputados – direito e medicina – conseguiram vagas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) fraudando a própria cor da pele. Escreveram, no ato da inscrição, que eram negros para, assim, diminuir o número de pontos e vencer a corrida dentro das cotas raciais. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, que fez a denúncia, são dezenas de casos. Pior: diz o secretário de Políticas Raciais do governo federal, Juvenal Araújo, que a prática é comum em outras universidades brasileiras.

Indecente.

A adoção ou não das cotas é uma polêmica que parece não ter fim no país. Embora respeite os que rechaçam, sou a favor porque conheço razoavelmente as estradas percorridas por pobres e abastados rumo à universidade. Mas não é o assunto que quero discutir.

O que impressiona é como um futuro médico, que terá como missão salvar vidas, ou um advogado que poderá chegar a juiz ou promotor, pode agir assim, passando por cima dos princípios mais básicos para conseguir o diploma.

O que impressiona é como a UFMG trata o assunto, distante, por meio de notas, prometendo se posicionar, ao invés de vir a público, imediatamente, anunciando um pente fino em todos os aprovados dentro do critério das cotas, com a expulsão dos fraudulentos e o envio dos casos para a Justiça.

O que impressiona é a lerdeza do Diretório Acadêmico, lamentando, dizendo que espera providências... Apático, sem o vigor que se espera diante de algo tão grave.

Quantas saudades de minha mãe, aquela mesma que, no almoço de 1º de janeiro de 2001, reagiu impassível à minha provocação. Eu disse: “Ah, dona Miralda, a senhora falou a vida inteira que de mil passará e a 2000 mil não chegará; agora, que chegamos a 2001 e o mundo não acabou, o que vai dizer?” E ela, com a tranquilidade de quem passara dos 80, respondeu com outra indagação: “E não acabou?”. O mundo de fato acabou – pelo menos aquele que ela aprendeu com Raimundo Salvador e nos transmitiu, onde o que é dos outros é dos outros. Como agradeço a Deus as chineladas, as broncas e suas orações, dona Miralda!

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