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Mano, Carille e Levir

Essa é uma das principais qualidades do trabalho de Mano. Já no de Levir...

10/04/2019 às 04:41
Mano, Carille e Levir

Apesar da eliminação, o domínio do Santos de Sampaoli sobre o Corinthians no Pacaembu foi tão avassalador, tão constrangedor para Carille que até boa parte dos torcedores mais fanáticos e da imprensa menos crítica – aquela, digamos, mais “resultadista” – se dobrou para reconhecer a injustiça do placar e qualidades no argentino. Alguns seguem irrecuperáveis, porém...

Há determinada torcida velada contra treinadores como o do Peixe e Fernando Diniz. Em fatia alarmante da mídia e do público. Entre outros “professores” também. A principal razão para isso, me parece, é um tanto análoga ao anti-intelectualismo que vigora no país em geral. Na cultura, na política... E nem estou idealizando, entrando no mérito das qualidades dos dois citados.  

Tenho uma espécie de receio de que “o lado errado possa vencer” no debate público pelo fato de Fluminense e o alvinegro da Vila não possuírem grandes elencos. A dificuldade dos mandantes em termos técnicos, para finalizar as jogadas, no clássico da última segunda, chegou a ser irritante. Faltou material humano e sorte. Sobrou Cássio. Só isso. Mas para quem quer achar outras justificativas...

Talvez seja curioso, ainda mais emblemático que Sampaoli integre um patamar secundário em meio aos seus conterrâneos. Permanece muito distante, por exemplo, de Pochettino – que venceu Guardiola nesta terça – e Simeone. E Carille é um dos nossos melhores. Montou consistente estratégia no primeiro duelo da semifinal paulista, lembremos. Exibiu labor espetacular em títulos recentes, tirando leite de pedra. Não se trata aqui de desmerecê-lo.  

Mano costumeiramente acaba mencionado como exemplar de comandante competente, porém pouco “criativo”, “pragmático demais”. Assim como Carille – de quem é considerado um tipo de mentor, com dose de verdade. Talvez estes rótulos sejam injustos com o corintiano. Mais provavelmente, são incompatíveis com o cruzeirense. Partidas paupérrimas, classificações claramente injustas como a do Timão diante da Ferroviária, na Copa do Brasil, e do Santos, no Estadual, não têm acontecido com Mano frequentemente e/ou em larga proporção. O contrário, por sua vez, ao menos em cotejos pontuais – até porque em confrontos eliminatórios ele vem obtendo excelente índice –, ocorreu em ocasiões diversas no ano passado. Frente ao São Paulo no Mineirão, ao Corinthians em Itaquera pelo Brasileirão... Ademais, a ingerência que ele consegue provar nas partidas é muito acima da média. Momentos em que as coisas parecem “soltas”, as ações fogem da sua rédea, e o aleatório dá as caras, como em parte do primeiro tempo da vitória sobre o América, no sábado, são raros. E se ele costuma conquistar essa interferência com uma defesa organizadíssima, não o faz na maioria das vezes passando sufoco, “sabendo sofrer” – que expressão... –, na retranca, ao custo de mínima criação. Esta capacidade de fazer o trabalho aparecer de maneira palpável num esporte tão errante e amigo do acaso, do circunstancial, do intangível, como o futebol, usualmente mostra-se elemento dos mais representativos para analisar o talento de um técnico. E é ela, justamente, que mais tem se ausentado no atual trabalho de Levir...

Em jogos recentes o Galo contou com o azar e a ruindade técnica dos adversários em vários contra-ataques que oferecia por desorganização e que poderiam facilmente, caso o inimigo fosse outro, mais qualificado, levar ao sofrimento de gols. Espaços excessivos entre volantes e zagueiros seguem corriqueiros. O melhor jogador do Cruzeiro na temporada, Rodriguinho, transita justamente por ali. Além disso, por mais que a Raposa, sob o comando de Mano, proponha mais o jogo do que se propaga no senso comum, é inegável que o contragolpe também é arma importante da equipe. É preciso tomar cuidado com isso no clássico.

Fotos: Vinnicius Silva/Cruzeiro, Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians e Bruno Cantini/Atlético

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