Eleições 2018

Gasto mensal por deputado passa de R$ 160 mil; 'só pressão popular acaba com regalias'

Um trabalhador assalariado levaria, em média, 15 anos para receber o valor mensal gasto com um parlamentar. 

Por Rômulo Ávila/Itatiaia , 17/08/2018 às 07:47
atualizado em: 27/08/2018 às 15:22

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Foto: Divulgação ALMG/ Câmara dos Deputados
Divulgação ALMG/ Câmara dos Deputados

Você contrataria um funcionário que custasse mais de R$ 160 mil por mês e não desse o retorno esperado? É isso que ocorre quando o eleitor elege um mau político. A manutenção dos parlamentares consume milhões de reais pagos pelo contribuinte e pesquisas mostram que a insatisfação da população é geral. Para manter a Câmara dos Deputados e o Senado, a população gasta R$ 28 milhões por dia, conforme dados da Organização Não Governamental (ONG) ‘Contas Abertas’.

“Realmente o Congresso brasileiro é um dos mais caros do mundo. Costumo fazer uma conta simples: basta somar os gastos da Câmara e do Senado e dividimos por 365. Chegaremos à conclusão que cada dia de funcionamento do Congresso custa aos brasileiros R$ 28 milhões. Isso é mais de R$ 1 milhão por hora. Trabalhem ou não trabalhem, nós estamos pagando R$ 28 milhões por dia para o Congresso funcionar. Isso é muito caro", disse o secretário-geral da ONG Gil Castello Branco Neto, à Itatiaia.

Um deputado federal, por exemplo, tem salário de R$ 33.763, auxílio-moradia de R$ 4.253 (ou apartamento de graça para morar), verba de R$ 101,9 mil para contratar até 25 funcionários, de R$ 30.788,66 a R$ 45.612,53 por mês para gastar com alimentação, aluguel de veículo e escritório, divulgação do mandato, entre outras despesas. Com tanta regalia, cada deputado federal custa ao contribuinte R$ 2,14 milhões por ano, ou R$ 179 mil por mês. Um trabalhador assalariado levaria, em média, 15 anos para receber o valor mensal gasto com um parlamentar. 

Um deputado federal tem até 25 assessores e um senador chega a ter 100 subordinados, agora transformados em 'cabos eleitorais'.

A situação não é diferente no caso de deputados estaduais. Em Minas são 77. A remuneração corresponde a 75% do salário da Câmara Federal, ou seja, R$ 25.322. Os parlamentares também têm direito a receber auxílio-moradia de R$ 4.377,73, além de outros penduricalhos como auxílio-paletó. Somando tudo, o custo mensal chega a R$ 161.973.

Mudança

Para Gil Castello Branco Neto, somente a pressão popular pode acabar com as regalias dos políticos: “Lamentavelmente, acredito que isso só vai mudar quando a pressão da sociedade for muito forte. Em Brasília, por exemplo, houve uma pressão muito forte e nós conseguimos acabar com o 14º e até 15º salários. Depende muito da pressão da sociedade. É preciso que o cidadão se engaje nessa luta, entendendo que, de fato, só com pressão eles poderão mudar”, disse.

O secretário da ONG também lembra que os poderes Executivo e Legislativo consomem milhões dos contribuintes.

“Temos no Brasil privilégios de toda ordem. É até injusto comentar sobre só um privilégio. No Judiciário, por exemplo, temos as férias de 60 dias, auxílio-moradia, auxílio-natalidade, enfim, uma série de penduricalhos que eles foram instituindo com um amparo legal, mas que, a meu ver, são privilégios imorais”, disse Castello Branco.

“No Executivo nós ainda temos 29 ministérios (ou órgãos). Há situações esdrúxulas como, praticamente 142 empresas estatais que empregam cerca de 500 mil funcionários, o que movimenta praticamente um PIB da Argentina”, concluiu.

As eleições de outubro vão eleger o novo presidente da República, senadores, governadores e deputados estaduais e federais.

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